Irene Lucília Andrade edita com a IMPRENSA ACADÉMICA

Lançamento no palco principal da Feira do Livro do Funchal, a 25 de março, pelas 14:00.

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A obra que agora se publica pela IMPRENSA ACADÉMICA, mais um número da coleção ILUSTRES (DES)CONHECIDOS, é a história de um lugar – o Caminho da Penteada – contada a partir da evocação de vários protagonistas, pessoas reais que ali viveram, que caracterizaram a fisionomia de uma época, a década de cinquenta do século XX, e de um lugar, a Penteada.

“A minha casa, a casa onde eu nasci, ainda existe, logo acima da Universidade, mais ou menos por baixo da via rápida, está perdida lá entre as fazendas. Eu ainda a vejo, quando vou até à Universidade e estaciono o carro naquele estacionamento junto à ribeira. O Caminho da Penteada ainda permanece o mesmo, há coisas que vão resistindo.” – Irene Lucília Andrade

A obra será lançada na 49.ª Feira do Livro do Funchal, numa conversa entre Irene Lucília Andrade e Leonor Martins Coelho, a decorrer no palco principal, na Avenida Dr. Manuel de Arriaga, no dia 25 de março, pelas 14.00.

Sobre a obra

O Caminho da Penteada transformou-se com a passagem do tempo e a chegada da modernidade e, simultaneamente, com o desaparecimento dos vultos humanos, seus perfis, costumes e estilos de vida, desapareceram as casas, os quintais, as fazendas; alterou-se a topografia.

“[…] um dia, passando pela Penteada, que foi o sítio onde eu nasci, alguma coisa em mim despertou para aquilo que eu via, a destruição do Caminho, a ausência das pessoas, tudo isso, despertou-me a vontade de fazer um livro de poesia. E eu escrevi o livro Água de Mel e Manacá, que são as minhas memórias, dos lugares e das pessoas, evocadas em poesia, que eu mais tarde escrevi em A Penteada ou o Fim do Caminho. Depois desse livro de poesia, eu pensei: «eu tenho de dizer mais coisas sobre essas pessoas, tenho de falar nelas, evocar-lhes os nomes, até!». Foi aí que surgiu a vontade de escrever A Penteada ou o Fim do Caminho. Portanto, eu parti de um livro de poesia para esta narrativa.” Irene Lucília Andrade

A PENTEADA OU O FIM DO CAMINHO de Irene Lucília de Andrade

Este é um livro em que a autora procura realçar as particularidades de cada um dos habitantes, onde avulta a vontade de os acolher e recuperar do esquecimento, em retratos minuciosos, alma de um tempo histórico que a memória da autora enaltece, com a ternura e a poesia da nostalgia e da saudade da infância, como lembra a https://amadeira.pt/wp-content/uploads/2021/10/laboratory-2815641_1280.jpga:

“Existe alguma melancolia, sim, certas vezes, mas tristeza não, alguma saudade, mas tristeza não, de maneira nenhuma, pelo contrário, dá-me um grande prazer recordar, porque era uma época feliz, era uma época boa, aqui nem chegavam as notícias da guerra. Eu nasci praticamente no ano em que se iniciou a Segunda Grande Guerra.”

São narrativas breves e memorialísticas que procuram, através da recordação dos lugares e da exaltação das relações afetivas e vicinais, que a nossa era da globalização tende a apagar, preservar as vivências de outrora, num resgatar constante de um tempo findo, mas que o poder construtivo da recordação evoca e abre um espaço de questionamento sobre o presente.

O leitor é levado a encontrar pessoas e situações em percursos através de uma cartografia de lembranças relacionadas a uma zona específica do Funchal, a Penteada, lugar da infância da autora. Os lugares e o tempo das suas vivências fazem pontes entre o passado e o presente, não só como recordações, mas como ficções e também até como fantasmas reveladores das virtualidades do seu ser e da sua intimidade.

Toda a obra constitui uma espécie de tributo a Eulália Beatriz, sua avó paterna, que viveu no Caminho da Penteada, tal como a autora, e foi contemporânea de muitas destas memórias.

“A ribeira era muito importante para nós, para a nossa infância. Toda a gente, no inverno ou quando chovia muito, toda a gente se punha à espreita de quando é que a ribeira vinha, porque ela vinha com um estrondo enorme, desde Santo António, a correr por ali abaixo. Era engraçado, e as pessoas, as crianças, corriam ao fundo das fazendas para ver a ribeira passar.” – Irene Lucília Andrade

Esta edição conta com dois ensaios sobre a obra literária de Irene Lucília de Andrade contou a coordenação de Leonor Martins Coelho, “que tem estudado a minha obra”, indica-nos a autora. Esta investigadora e docente da Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade da Madeira, já analisou e coordenou a edição de outras obras integradas pela Imprensa Académica nos ILUSTRES, assina, agora, o prefácio de A PENTEADA OU O FIM DO CAMINHO (Universidade da Madeira e Universidade de Lisboa). Rui Guilherme Silva investigador e docente da mesma Faculdade, que está a coordenar a análise de um futuro volume dos ILUSTRES (DES)CONHECIDOS, foi o responsável pelo ensaio que constitui o posfácio.

Por fim, a obra também conta com alguns pequenos textos, testemunhos de amigos e colegas, professores da Universidade da Madeira.

Sobre a autora

Irene Lucília Mendes de Andrade, nascida no Funchal, a 6 de fevereiro de 1938, é uma https://amadeira.pt/wp-content/uploads/2021/10/laboratory-2815641_1280.jpga, poetisa e artista plástica madeirense. Licenciada em pintura, em 1968, pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, foi professora do ensino secundário, locutora na rádio Posto Emissor do Funchal e desenvolveu uma longa e rica obra literária, poética e ficcional, bem como uma atividade de cronista na imprensa periódica regional.

“Trabalhei como radialista, trabalhei em todo sentido, fiz trabalho de continuidade, fui locutora de continuidade, fiz várias coisas, e tive também alguns programas meus, que eu criei, algumas rubricas minhas. Foram aí uns 8 anos em que trabalhei no Posto Emissor do Funchal. Na televisão, eu também aparecia muitas vezes, a convite da Maria Aurora.” – Irene Lucília Andrade

Em 2016, recebeu a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique. Em 2021, recebeu a Medalha de Mérito da Câmara Municipal do Funchal, por ocasião do Dia da Cidade, a 21 de agosto de 2021.

É considerada uma das personalidades mais importantes da literatura contemporânea madeirense.

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